Sem rumo, sem norte ou sul... Sem nexo.


Acreditar e desacreditar, querer e não querer, sonhar e não crer, crer e não querer sonhar. Viver sem saber fazer, sem saber pensar, sem saber sentir. Sentir sem saber realizar, sem saber expressar. Expressar sem conseguir acertar, errar na tentativa de consertar. Consertar o errado e deixá-lo mais confuso dentro do espaço vazio sem nexo da procura do certo. Buscar ser o que sempre sonhou ser, mas que nunca soube o que realmente se queria se tornar. Confusão de sentimentos sem sentidos. O professor havia dito que é preciso de sentido para se fazer algo, mas essa busca de sentido por vezes parece armadilha, e se perder nessa linha torta da procura do que não sabe o que é, é fácil. Durante a busca desvia-se o caminho, e esquecer pra onde ir em apenas um piscar de olhos, é mais fácil do que persistir nele..

Os desejos, a falta do que não vive, o presente sem futuro, o passado sem história... não sabe o que quer viver, apesar de saber o que não se quer[será que sabe mesmo?]. E até mesmo o que diz não querer, por vezes, passa a procurar. E no passar dos dias tudo se confunde e tudo se resume a uma mistura de nada ou de tudo que não entende. E no final Tenta não se entender com medo de se conhecer.

Oi, quero poder ser clichê...


Eu quero um mundo novo,


...banho de chuva na praia,

...tomar sorvete em um pote de cinco litros enquanto assisto comédias românticas e filmes antigos,

...dormir no parque e acordar com uma folha da árvore caindo em meu nariz,

...fotografar expressões de pessoas comunns na ruas com uma câmera analogica, só pra revelar e ver a surpresa do que elas têm a me dizer nesse papel imortalizado,

...brincar com meu primo de 5 anos e me sentir com 4 anos,

...sentar na janela do ônibus e recordar as coisas boas que vive enquanto o vento bate em meu rosto,

...deitar no parapeito da fazenda e olha para as etrelas esperando uma estrela cair pra fazer um pedido,

...conversar com pessoas desconhecidas como se fossemos amigos de infância.

...sorrir para alguém que passa no outro ônibus,

...comer chandelle vagarosamente para sentir o sabor mais intenso,

...arrumar o guarda-roupa só pra ter o prazer de dessarrumá-lo em menos de uma semana,

...pegar um ônibus sem destino só pra observar a cidade passando pela janela.


Quero ser a menina que um dia fui, a inocência que um dia perdi,A mulher que estou me tornando.Quero o sabor que nunca senti e o que já senti quero-o novamente sentir. Quero os desejos e planos realizados, quero ser o que fui, o que sou e o que virei de ser. Quero ser eu e o melhor e pior que puder ser. Quero encontrar o pedaço que falta e me perder no vazio que não existe. Quero ser eu, mesmo sem saber o que significar ser eu.


Oi, quero ser feliz!

Fugir



A vida, por vezes, parece um sonho.

Nem sempre um sonho bom, mas ainda assim: um sonho. Algumas vezes surge a vontade de acordar dele e encontrar uma realidade diferente, outras vezes o desejo permanecer sonhando indefinidamente.

Infelizmente nem a vontade, nem o desejo se concretizam e mesmo sabendo disso a ilusão de que acordará ou permanecerá no sonho é constante...Vivo deles e esqueço de viver...

Mas levarei sempre comigo os bons sonhos que tive.

A Garota e o livro

Fazia pouco tempo que a garota havia chegado de viagem. E em um de seus dias comuns de usuária de internet ela encontra, ou ele a encontra, justamente ali em um lugar conturbado de cheio de dúvidas e pessoas lendo e escrevendo. Uma lugar para interagir, digamos que uma biblioteca informal. O livro então surge para ela meio como aquelas janelinhas pop ups. Mas não uma janelinha qualquer, ela sentiu os olhos brilharem com a surpresa e com a possibilidade de manter algum tipo de relação com aquele livro. Ela clicou na janelinha, adicionou aos favoritos e até hoje o mantém lá. Mas entre esse até hoje algumas coisas aconteceram.


A garota passou a acompanhar distante o “seu” livro. Sim, distante, porque ao verificar a disponibilidade do livro no acervo viu que só havia um exemplar e que estava disponível em uma biblioteca que ficava a kilometros de distância de seus olhos. Mesmo assim, seu sentimento de um dia conseguir aquelas páginas em suas mãos nunca foram embora de seus sonhos.


Algumas vezes ela via que o tal livro não estava disponível na biblioteca, então ficava com medo do que poderia acontecer. Do usuário que o havia levado nunca mais o devolve-se. Que perderia o contato, mesmo que virtual. Sentia alguma coisa parecida com perda, ciúmes. Porém, algumas vezes lendo em algumas de suas pesquisas sobre o livro, encontrava-o dizem que se alguém gosta verdadeiramente de alguém deveria ficar feliz pela pessoa estar bem. E de uma coisa ela tinha certeza: gostara daquele livro como jamais gostara de nenhum outro. Então ela tentava lutar contra o sentimento egoísta e fazia isso pensando que o livro estaria em boas mãos. Que ele estaria fazendo aquilo para que ele fora criado, torna-se parte da vida de outras pessoas em sentimentos, palavras e presença, em fim ser feliz, sim livros podem ser felizes...


Entre essa relação eu não poderia deixar de contar um episódio, talvez o mais sublime. O momento mais esperado pela garota. Já que o livro não poderia ir até ela, ela foi até o livro, sabe aquela frase da montanha e Maomé? Então, é mais ou menos isso. Mas como uma montanha ou um livro de Biblioteca, que é o caso de nossa história, ela não poderia leva-lo consigo. A Garota tinha alguns poucos dias pra aproveitar o momento que estaria com o seu tão sonhado exemplar. Aproveitar cada segundo junto do livro era seu objetivo daquele final de semana. E assim o fez, mesmo um pouco desajeitadamente sem saber em qual página abrir, mesmo vendo as marcas que outras pessoas haviam deixado, quando por vezes o levavam da biblioteca, mesmo sabendo que ele nunca a pertenceria e que assim que o devolvesse ao seu local ele voltaria às mãos de outra pessoa. Por que sim, ela sabia que havia outra pessoa esperando por ele, ela via as marcas recentes em cada letra, em cada palavra, em cada página... Cada momento junto ao livro fora único e mágico. Ela pôde enfim tira-lo do pedestal e leva-lo para a vida real e mesmo assim não perder o encanto.


Mas enfim, o fato de poder ter lido, de tê-lo tido por algum tempo ao seu lado a fez se sentir bem. Talvez ela também agora também tenha deixado uma pequenina marca nele. E a lembrança? Bom, essa a garota ainda carrega em seus sonhos e a esperança de um dia poder ler mais um pouco pessoalmente páginas ainda desconhecidas por ela.