A Garota e o livro

Fazia pouco tempo que a garota havia chegado de viagem. E em um de seus dias comuns de usuária de internet ela encontra, ou ele a encontra, justamente ali em um lugar conturbado de cheio de dúvidas e pessoas lendo e escrevendo. Uma lugar para interagir, digamos que uma biblioteca informal. O livro então surge para ela meio como aquelas janelinhas pop ups. Mas não uma janelinha qualquer, ela sentiu os olhos brilharem com a surpresa e com a possibilidade de manter algum tipo de relação com aquele livro. Ela clicou na janelinha, adicionou aos favoritos e até hoje o mantém lá. Mas entre esse até hoje algumas coisas aconteceram.


A garota passou a acompanhar distante o “seu” livro. Sim, distante, porque ao verificar a disponibilidade do livro no acervo viu que só havia um exemplar e que estava disponível em uma biblioteca que ficava a kilometros de distância de seus olhos. Mesmo assim, seu sentimento de um dia conseguir aquelas páginas em suas mãos nunca foram embora de seus sonhos.


Algumas vezes ela via que o tal livro não estava disponível na biblioteca, então ficava com medo do que poderia acontecer. Do usuário que o havia levado nunca mais o devolve-se. Que perderia o contato, mesmo que virtual. Sentia alguma coisa parecida com perda, ciúmes. Porém, algumas vezes lendo em algumas de suas pesquisas sobre o livro, encontrava-o dizem que se alguém gosta verdadeiramente de alguém deveria ficar feliz pela pessoa estar bem. E de uma coisa ela tinha certeza: gostara daquele livro como jamais gostara de nenhum outro. Então ela tentava lutar contra o sentimento egoísta e fazia isso pensando que o livro estaria em boas mãos. Que ele estaria fazendo aquilo para que ele fora criado, torna-se parte da vida de outras pessoas em sentimentos, palavras e presença, em fim ser feliz, sim livros podem ser felizes...


Entre essa relação eu não poderia deixar de contar um episódio, talvez o mais sublime. O momento mais esperado pela garota. Já que o livro não poderia ir até ela, ela foi até o livro, sabe aquela frase da montanha e Maomé? Então, é mais ou menos isso. Mas como uma montanha ou um livro de Biblioteca, que é o caso de nossa história, ela não poderia leva-lo consigo. A Garota tinha alguns poucos dias pra aproveitar o momento que estaria com o seu tão sonhado exemplar. Aproveitar cada segundo junto do livro era seu objetivo daquele final de semana. E assim o fez, mesmo um pouco desajeitadamente sem saber em qual página abrir, mesmo vendo as marcas que outras pessoas haviam deixado, quando por vezes o levavam da biblioteca, mesmo sabendo que ele nunca a pertenceria e que assim que o devolvesse ao seu local ele voltaria às mãos de outra pessoa. Por que sim, ela sabia que havia outra pessoa esperando por ele, ela via as marcas recentes em cada letra, em cada palavra, em cada página... Cada momento junto ao livro fora único e mágico. Ela pôde enfim tira-lo do pedestal e leva-lo para a vida real e mesmo assim não perder o encanto.


Mas enfim, o fato de poder ter lido, de tê-lo tido por algum tempo ao seu lado a fez se sentir bem. Talvez ela também agora também tenha deixado uma pequenina marca nele. E a lembrança? Bom, essa a garota ainda carrega em seus sonhos e a esperança de um dia poder ler mais um pouco pessoalmente páginas ainda desconhecidas por ela.

1 comentários:

neto disse...

mesmo não podendo ter todos os livros podemos ter sua historia em nossas memorias,assim podemos deixar de lado as marcas ruins que estão nele, não é?