Momento único?

Estava aqui lembrando de quando estava a espera do ônibus, uma sombra, uma árvore filhotes de pássaros passando de galhos, cantando sobre minha cabeça uma cena, um momento que me fez sorrir por dentro. Ao lembrar disso, pensei em escrever um texto sobre aqueles momentos únicos pelos quais passamos, porém logo me veio a mente que todos os momentos são únicos. Recorro aqui ao filósofo Heráclito que disse não nos banharmos duas vezes no mesmo rio, já que nem o rio nem quem nele se banhã não são os mesmos, são momentos diferentes na existência de ambos... Pode até ser uma conclusão clichê, mas vendo por esse lado, cada momento em nossas vidas são únicos. O que fazem deles melhores ou piores são as circunstâncias, o modo como lidamos, vemos e sentimos cada um.

Fui ali e não sei se voltarei...


Que vontade de me sentir como se sente áquela que vive intensamente.

Que vontade de sair por aí, sentar ao lado de um desconhecido, conversar e dar boas risadas da janela emperrada do transporte que no leva a um mundo onde os meus desejos se encotram a minha espera.


Que vontade de amar e sentir o sentimento reciproco bater no rosto e descançar em meu peito, fazendo ele bater desconpasadamente tranquilo.


Que vontade de te arrancar de meus pensamentos mais singelos e sentimentos mais sinceros de te querer sem uma mínima perspectiva de um dia te ter.


Que vontade de tornar meus escritos sentimentos, vontades e desejos algo que possa ser jogado fora fazendo restar alguém com objetivos racionais.


Que vontade de sumir...

Que tempo bom...

Inicio aqui uma tentativa de texto cheio de vontade, vontade de falar de algo que me faz tão bem. Sinto-me até um pouco egoista , por saber que quando ela vem assim com tanta intensidade acaba por prejudicar algumas pessoas, causa prejuízo e traz o caos!
Mas é mais forte que eu e a sensação de prazer que chega em formas de gotas encharca meu eu de sonhos, desejos e sentimentos reclusos.

Devo ter aquela alma de sertanejo, aquela alma que se alegra quando ela chega e faz preencho de esperança de que bons tempos estão chegando.

Não consigo ter raiva quando ela surge do nada, nem mesmo quando me faz chegar desconjuntada e molhada no trabalho ou na aula. E quer saber? Não gosto do guarda-chuva... Gosto de senti-la batendo em meus cabelos... De senti-la escorrendo em meu rosto, braços... Sentir a roupa molhada... De ver as pessoas correndo com pastas na cabeça pra se protegerem[?], ou agarradas a livros e cadernos para salvarem seus tão preciosos papéis. Outras sorrindo e até se divertindo da situação, e tem aquelas também com suas sombrinhas quebradas, essas sempre me fazem segurar o riso. AAhhhh e tem aquelas que dividem o tão pequeno espaço de seu guarda-chuva com outra, uns são casais outros são apenas amigos, esse refletem o romantismo que a chuva me canta em seus tons mais suaves.

Aaahh... Lembrei de uma coisa que me irrita, quando chove...Mas não escrevo aqui pra falar disso.

Enfim quis aqui apenas sentir essa brisa gelada que entra pela janela e toca em minha pele enquanto digito e que me faz lembrar que estamos em período de chuva e que de alguma forma ela me preenche e me lava do vazio que me atordoa! Algumas coisas me preenchem por alguns instantes e a chuva é uma dessas coisas.

Ainda não tomei o banho de chuva que gostaria de tomar desde que começou a temporada de trovões... Espero conseguir me lavar de mim mesma antes das nuvens cinzas irem embora.

Ps.: Oi, chuva. Seja bem vinda. Não maltrate tanto aqueles que não estavam preparados para sua chegada. E obrigada pelo bem que você me faz, obrigada pela compania nestes últimos dias, sentirei sua falta quando se for.

Sentidos amargos

Em seus contatos com com o ninguém ela procurou uma conversa verdadeira, mas seus olhos se calaram e seus dedos deslizaram pelo teclado e acabaram por falarem mais depressa que qualquer pensamento acelerado.

Sua boca se fechou enquanto sua cabeça se entregou aos sentimentos de seu coração retraído, inconstante na batida mas não no que realmente sentia. Perdeu por algum tempo os sentidos das pernas que, por diversas vezes, ficaram trêmulas e dormentes, perdeu a voz que se entregou ao se esconder.

A vontade de se doar era intensa, mas não sabia o que fazer com tamanhas sensações que a dominavam. E seus sentimentos não eram perceptíveis por seus sentidos comuns, eles expeliam por seus poros e ela não sabia se alguém os notavam. Já era noite, era escuro, escuro lá fora e internamente, não via ninguém para quem pudesse choramingar o sabor amargo de se sentir opaca. Ela então se calou, cegou e adormeceu.

E a saudade, onde fica?


Fico a me indagar, se a distância falasse o que ela me contaria em seus momentos de desabafos... Não encontro assunto mais apropriado para se conversar com ela do que a saudade. Tenho medo do que ela não fala mas me mostra. E várias vezes ela já me mostrou ser impossível a distância existir sem ter ao seu lado a saudade. E como um mal necessário não há outra saída a não ser buscar, da forma mais harmoniosa, conviver com a tão impregnante saudade.

Saudade, tu que já fostes título de poema de artistas consagrados, e por mais que se tente escrever algo novo a teu respeito, não há como não recair no ponto de que saudade faz doer, mas que é sinal de que algo bom aconteceu. E então de uma certa forma, por mais que machuque e mesmo contra a vontade de não querer sentir dor, há a necessidade de sentir a pontada da saudade pra se lembrar do que não mais voltará e reviver em pensamentos o que de bom e passou.

Ahhh saudade, tu que fostes assunto tão falado em rodas de conversas, poesias, canções e corações, tu és a prova de que o não existe a felicidade plena e de que para ser feliz muitas vezes é necessário de uma pitada de dor.

E distância, tu que carregas sempre contigo a saudade não esquece de um dia ir pra longe de mim e me fazer viver novamente momentos que me farão sorrir e chorar quando tu voltares pra perto de mim.