Que tempo bom...

Inicio aqui uma tentativa de texto cheio de vontade, vontade de falar de algo que me faz tão bem. Sinto-me até um pouco egoista , por saber que quando ela vem assim com tanta intensidade acaba por prejudicar algumas pessoas, causa prejuízo e traz o caos!
Mas é mais forte que eu e a sensação de prazer que chega em formas de gotas encharca meu eu de sonhos, desejos e sentimentos reclusos.

Devo ter aquela alma de sertanejo, aquela alma que se alegra quando ela chega e faz preencho de esperança de que bons tempos estão chegando.

Não consigo ter raiva quando ela surge do nada, nem mesmo quando me faz chegar desconjuntada e molhada no trabalho ou na aula. E quer saber? Não gosto do guarda-chuva... Gosto de senti-la batendo em meus cabelos... De senti-la escorrendo em meu rosto, braços... Sentir a roupa molhada... De ver as pessoas correndo com pastas na cabeça pra se protegerem[?], ou agarradas a livros e cadernos para salvarem seus tão preciosos papéis. Outras sorrindo e até se divertindo da situação, e tem aquelas também com suas sombrinhas quebradas, essas sempre me fazem segurar o riso. AAhhhh e tem aquelas que dividem o tão pequeno espaço de seu guarda-chuva com outra, uns são casais outros são apenas amigos, esse refletem o romantismo que a chuva me canta em seus tons mais suaves.

Aaahh... Lembrei de uma coisa que me irrita, quando chove...Mas não escrevo aqui pra falar disso.

Enfim quis aqui apenas sentir essa brisa gelada que entra pela janela e toca em minha pele enquanto digito e que me faz lembrar que estamos em período de chuva e que de alguma forma ela me preenche e me lava do vazio que me atordoa! Algumas coisas me preenchem por alguns instantes e a chuva é uma dessas coisas.

Ainda não tomei o banho de chuva que gostaria de tomar desde que começou a temporada de trovões... Espero conseguir me lavar de mim mesma antes das nuvens cinzas irem embora.

Ps.: Oi, chuva. Seja bem vinda. Não maltrate tanto aqueles que não estavam preparados para sua chegada. E obrigada pelo bem que você me faz, obrigada pela compania nestes últimos dias, sentirei sua falta quando se for.

Sentidos amargos

Em seus contatos com com o ninguém ela procurou uma conversa verdadeira, mas seus olhos se calaram e seus dedos deslizaram pelo teclado e acabaram por falarem mais depressa que qualquer pensamento acelerado.

Sua boca se fechou enquanto sua cabeça se entregou aos sentimentos de seu coração retraído, inconstante na batida mas não no que realmente sentia. Perdeu por algum tempo os sentidos das pernas que, por diversas vezes, ficaram trêmulas e dormentes, perdeu a voz que se entregou ao se esconder.

A vontade de se doar era intensa, mas não sabia o que fazer com tamanhas sensações que a dominavam. E seus sentimentos não eram perceptíveis por seus sentidos comuns, eles expeliam por seus poros e ela não sabia se alguém os notavam. Já era noite, era escuro, escuro lá fora e internamente, não via ninguém para quem pudesse choramingar o sabor amargo de se sentir opaca. Ela então se calou, cegou e adormeceu.

E a saudade, onde fica?


Fico a me indagar, se a distância falasse o que ela me contaria em seus momentos de desabafos... Não encontro assunto mais apropriado para se conversar com ela do que a saudade. Tenho medo do que ela não fala mas me mostra. E várias vezes ela já me mostrou ser impossível a distância existir sem ter ao seu lado a saudade. E como um mal necessário não há outra saída a não ser buscar, da forma mais harmoniosa, conviver com a tão impregnante saudade.

Saudade, tu que já fostes título de poema de artistas consagrados, e por mais que se tente escrever algo novo a teu respeito, não há como não recair no ponto de que saudade faz doer, mas que é sinal de que algo bom aconteceu. E então de uma certa forma, por mais que machuque e mesmo contra a vontade de não querer sentir dor, há a necessidade de sentir a pontada da saudade pra se lembrar do que não mais voltará e reviver em pensamentos o que de bom e passou.

Ahhh saudade, tu que fostes assunto tão falado em rodas de conversas, poesias, canções e corações, tu és a prova de que o não existe a felicidade plena e de que para ser feliz muitas vezes é necessário de uma pitada de dor.

E distância, tu que carregas sempre contigo a saudade não esquece de um dia ir pra longe de mim e me fazer viver novamente momentos que me farão sorrir e chorar quando tu voltares pra perto de mim.

Entre o nada e o imaginário

(Imagem Fonte: http://sometimesaki.no.sapo.pt/Imagens/Dormindo%20Geraldo%20Magela.jpg)

Entre
lençóis ela encontra seu refúgio
E o refúgio a esconde do mundo
Entre
lençóis o mundo se faz em pensamentos

Entre pensamentos ela procura por alguém
E assim alguém se faz presente
Entre pensamentos o presente se desfaz em sonhos

Entre sonhos ela fica no imaginário
E o imaginário não se concretiza
Entre sonhos ela encontra sentimentos

Entre sentimentos ela cria esperanças
E as esperanças, por vezes, a machuca
Entre sentimentos ela busca seus
lençóis

E entre seus
lençóis ela se refugia, sonha, espera, machuca...
E ela busca por ti.... mas
Entre
lençóis há apenas ela.

A música em construção

(Imagem fonte: http://www.flickr.com/photos/marta_v/2069906162/)

Era chegada a música. Chegou como que em ondas quase imperceptíveis em um tom que adentrara de surpresa, mas que a fazia estremecer.

Ao buscar um definição
encontrara um mistura de sons e silêncio
palavras que surgiam como sentimentos
Sentimentos que surgiam com palavras

Uma nova melodia significava uma nova história?
Ela não tinha certeza.
Mas havia algo que ela ouvia
E seus ouvidos não costumam mentir.

Seus ouvidos cantaram em seu mais intimo ser
Cantaram com novas notas
Ela não sabia reconhecer quais eram
Afinal ela nunca entendera essa arte

A Arte de tornar intensa as batidas do coração
De fazer o clichê entoar acordes inimagináveis
De fazê-la sonhar com a harmonia de suas confusões
De fazê-la cantar uma cantiga inacabada...

Então, que venha a canção
Que comece com música
Que termine sem fim...